segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Tá. Vou me gabar mesmo.

Uma vez disse para uma ex-namorada que eram nas esquinas da vida que se escondiam os maiores prazeres. Ele me olhou meio descrente.

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Acabei de voltar do XXVI encontro anual de etologia, no qual participei apresentando oralmente uns dados meus.

Depois da minha apresentação desci do púlpito meio desanimado com umas falhas no power point e com as minhas eventuais piadinhas sem graça para a porrada (para minha felicidade e nervosismo tinha muita, muita gente) de pessoas presentes no auditório.

Eu sai de lá antes de anunciarem os premiados do evento e depois de conversar com as pessoas que se interessaram pelo meu trabalho, e fui, meio desanimado pelas razões já explicadas, comer "petit gateau" com sorvete de café com umas amigas (sim, continuo heterosexual apesar disso).

Alguns minutos depois chegou no café o animado pessoal do laboratório da USP do qual faço parte me comunicando, para minha grande surpresa, que eu fui eleito e premiado como a melhor apresentação oral do encontro!

Caceta! Fiquei emocionado de verdade!

Sorte a Mariana ter estado lá pra receber o prêmio pelo tonto aqui! (Valeu, Mari!).

Eu só tenho a agradecer a todos esses filhotes de avestruz.

domingo, 9 de novembro de 2008

Dormi com a velha!

OK. O amor é uma cabeça de gafanhoto que eventualmente é devorada por um macaco selvagem no meio de um calor infernal (vide post anterior).

O meio inóspito do cerrado do interior do Piauí está me ensinando muitas coisas.

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Ontem/hoje vim para Brasília e hoje à noite estarei em SP para um congresso e para umas aulas.
No ônibus para cá (Brasília) uma velhinha dormiu do meu lado e se encostou em mim como se eu fosse o neto dela. Lá pelo meio da madrugada ela pegou um lençol e me cobriu. Realmente fofo e meigo.

Quando amanheceu ela falava comigo como se eu fosse alguém da família mesmo...

-Você acha que eu devo ligar para as meninas? É melhor, né?
-Ãhn... bem... eu não sei... que meninas? - Perguntei meio perdido.
-É. É sim, é melhor. Eu vou aproveitar que o ônibus parou e vou ligar.

Minha cara se contorceu em um ponto de interrogação por dois segundos e depois relaxei, fingindo de novo como fingi na noite anterior quando a senhorinha me cobriu.

Imaginando que ela é a vó esclerosada que eu não tenho.

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

News diretamente do meio do mundo.

Aaaai... tive cólica renal... sozinho no meio do cerrado... mas acabei me virando... Vim para a cidade em busca de um médico e amanhã volto pra meio do mato.

Sexta volto pra SP pra ter aulas e para uma apresentação em um congresso.

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Apesar de tudo, a cena mais marcante dessa minha viagem até aqui foi quando o Júnior (o meu guia/mateiro de 20 anos, muito humilde e bem esperto) me recitava um poema de amor que ele fez para uma menina enquanto o Tucum (Macaco juvenil selvagem de um grupo que eu estudo) comia sem dó a cabeça de um enorme gafanhoto.

O macaco nos olhava com certa indiferença enquanto derretíamos no calor absurdamente escaldante do interior do Piauí.

sábado, 27 de setembro de 2008

Último post antes de ir embora. Volto um dia.

Hoje de noite eu estava escutando Blues Traveler (pra variar) no metrô, voltando pra casa.

Enquanto o John Popper cantava de maneira mais acelerada e apaixonada a cada segundo (o final da música "Stand"), eu comecei a correr depois que desci do metrô...

Atravessei como um maluco a catraca...

"The answers are getting harder..."

Corri a estação... as pessoas olhavam meio indiferentes.

"The answers are getting harder and harder..."

Subi as escadas para a rua...

"Stand..."

Saí correndo a toda pelo meio da rua...

"Stand and walk..."

Corri até todos os meus alvéolos gritarem por mais ar...

"Stand".

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Happiness only real when shared.
Happiness only real when shared.
Happiness only real when shared.
Happiness only real when shared.
Happiness only real when shared.
Happiness only real when shared.
Happiness only real when shared.
Happiness only real when shared.
...

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Ordinário

Toda vez que entro em uma loja de roupa a mocinha fala que eu sou médio.

-Ah! Você é médio.

Creio que isso se refere a minha camisa. Porém não páro de pensar que eu sou médio.

Se ao menos eu fosse grande, levemente extraordinário, um pouquinho sensacional, semi especial... Médio é tão medíocre.

Eu queria entrar na loja de roupas e ouvir a mocinha falar:

-Nossa! Você é fantástico.

Mas eu sou médio.

Nós, que não fugimos da curva, temos que lidar com isso de uma maneira particularmente especial.

domingo, 21 de setembro de 2008

Eita, domingo!

Sábado eu vou para o interiorzão do Piauí. Pro meio do sertão. Toda minha vida vai mudar, mas eu já estou mais ou menos acostumado.

Por enquanto eu serei o único pesquisador por lá interagindo com os nativos e com os macacos. O que é fascinante. Olhar pessoas diferentes é interessante.

Bom, em novembro volto pra SP por 3 semanas, aí volto pro Piauí e não faço idéia do que vai acontecer no Natal e Reveillon. Espero inventar uma daquelas coisas que eu vou lembrar quando for velho.

Eu só escrevi isso aí porque estou entediado.

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Em inglês, pipa (ou papagaio, dependendo da região do Brasil onde você mora, aquele negócio que voa contra o vento) parece ser bem legal. Parece ser até o presente momento, pelo menos.

É só uma questão de substituir uma letra.

Ah, esse post está imcompreensível.

Eu vou ficar ali jogando uma bolinha de tênis na parede. Vendo se não passa uma pipa por aí.

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Ai que bicho bravo e fofo!

Tá bom. Os macacos-prego não são as criaturas mais lindas do mundo. Ao contrário do que pessoas que os estudam acham, eu não acho. E os estudo.

A fofura deles não está no que eles parecem ser, seres beges, amarelados, marrons ou pretos, ou tudo isso em um só, e sim no que eles fazem.

Muita gente os acha tão espertos que os chamam de “os chimpanzés do novo mundo”.

Eu fico P e digo: “Eles não são chimpanzés do novo mundo. Eu estudo macacos-prego!”.

Vou me tornar um velho cientista rabugento. Tenho quase certeza.

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Ontem saí pelas ruas feliz da vida pra fazer coisas chatas, como ir ao banco e tomar a vacina antitetânica.
No posto de saúde eu expliquei a minha situação e a senhora que ficava lá dentro da salinha das vacinas perguntou pra onde eu ia e o que eu fazia, etc...

-Eu sou primatólogo, vou pro meio do mato no Piauí correr atrás de macacos selvagens.

-Nossa, moço! Que bicho bravo que você estuda!!

Imagina só se eu ficasse na cidade estudando etologia humana.

Que bicho bravo!

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Foto bisonha do dia:



Corra, Katie, corra!

Isso me lembra um filme.

Mas era muito mais interessante do que a realidade da foto.