domingo, 6 de dezembro de 2009

Síndrome do uspiano

Eu adoro estudar na USP. Existem pessoas sem igual por lá e o campus é fantástico em relação a minha realidade. Sou muito agradecido às pessoas que me possibilitaram viver isso. No entanto, há uma síndrome característica entre os estudantes da Universidade de São Paulo.

Não me levem a mal, por favor, mas esse é um desabafo dirigido às pessoas que eu gosto muito e que estão longe (originalmente esse blog foi criado por causa delas).

Não generalizemos, mas é comum notarmos certo infantilismo e mimo em uma parcela da população universitária, devido à (creio eu):

1 – Grande parte dos alunos da graduação veio de outras cidades e se encontraram com uma liberdade quase que total sem estar preparado para ela. Os que são da cidade mesmo acabaram envolvidos por esse ambiente;
2 – Todos estudam na melhor universidade da América Latina, como já citado.

Logo, boa parte é prepotente, infantilizada e não sabe como conduzir a vida. Quando se tornam adultos, encaram responsabilidades e relações para as quais não estavam preparados e ficam, nitidamente, com vontade de voltar à vida da graduação. Muitos agem como se tivessem 16 ou 17 anos em relações amorosas e profissionais. Costumam te convencer que detêm a verdade absoluta. Risinho no canto da boca faz parte da síndrome.

Hoje conheço gente que não sabe lidar com a perda de uma vaga (principalmente se for para alguém de outra universidade) ou com míseras notas mais baixas em relação a alunos de fora; que não sabe lidar com pessoas (principalmente as do sexo oposto) justamente porque tem dificuldades em admitir que as vezes qualquer ser humano é, uma vez ou outra ou muitas, vil, inapropriado, estúpido e escroto (até os uspianos); que muitas vezes perde o chão e lambe feridas por mágoas (não há nada de mal em lamber feridas quando estas doem); que negam, negam tudo o que não os agradar; que ficam profundamente frustrados e deprimidos por não ocuparem o posta na vida que acham que merecem... A lista pode ir longe, mas não vou prolongar esse post aborrecido que está em um blog que costuma ser mais leve.

Fiz muitos amigos por lá. Conheci gente genial e fantástica (outras nem tanto), adoro aquele lugar, mesmo só tendo estudado por ali depois de adulto (talvez isso tenha sido bom), para a pós-graduação. Pretendo continuar ainda por muito tempo.

Mas há que saber se safar de certas situações. É conveniente entender a síndrome do uspiano.

Acima de tudo, é conveniente entender a pessoa que a porta.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

EU SOU SENSACIONALISTA! (em letras garrafais)

Pessoas desconhecidas têm a estranha tendência de me contarem a vida delas. Eu não sei exatamente porque, não sou a pessoa mais simpática do mundo.
Outro dia fui a um BARBEIRO (yeah! barbeiro de verdade, não cabelereiro) e ele me contou toda a sua infância em Portugal até o momento que constituiu família no Brasil (essa história mereceria um post a parte). A segunda parte ficou pra quando eu voltasse para aparar as madeixas (que me restam).

Ontem o taxista resolveu que eu era o recepiente ideal para as palavras que saiam da boca dele, me mostrando tudo o que tinha passado.

Nada trágico. Sem sangue, mortes horríveis, traições escabrosas, explosões ou metralhadoras.

É por isso que fui ver "Bastardos Inglórios" do Tarantino. Era o que faltava na minha vida.

Quando contar minha história pra alguém eu vou exagerar muito.

E garantir que o expectador não morra de tédio.


sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Eu quero

As vezes a gente tem certeza do que quer. Mas a verdade é que não sabe de nada.
Descobri que não queria o que achava que queria.
Acho que quero algo que achava que quis mas que não quis mais e agora quero de novo.

Às vezes acho que queria ser mais pragmático.

~~

Obrigado, Fay! Você é essencial! Muito importante! Muito importante! :)

sábado, 31 de outubro de 2009

Eu não acho que tenha mais "estômago social". Desculpem-me.

Eu tenho defendido o meu país, apesar da tentação de ir embora daqui (e poderia muito bem fazer isso hoje mesmo).
Me considero uma pessoa educada, racional, com senso de cidadania, bá blá blá... e, com uma pitada de prepotência, acho que poderia ajudar a nação de alguma maneira. Há muitas, muito chatas pra listá-las aqui.
Porém, ontem vi um vídeo de alunos da UNIBAN gritando desesperadamente em direção a uma aluna que resolveu ir para a universidade com uma minissaia vermelha. Me lembrou o Taliban.
A menina saiu escoltada pela polícia, chorando, correndo o risco de ser agredida por um monte de universitários que, em um coro selvagem e covarde, gritavam "PUTA, PUTA..." . Isso foi bem assustador. Tive náuseas ao assistir, de verdade. Cheguei a esperar que os universitários atirassem pedras na moça.
A Europa nunca me pareceu tão atraente, confesso. Há barbaridades em qualquer lugar, mas isso aqui já está extrapolando qualquer limite.

Pra quem tiver "estômago social":
http://www.youtube.com/watch?v=d7ebViB847I&feature=popular

sábado, 3 de outubro de 2009

Camão

Comprei uma cama. Linda, confortável, colchão de mola. Quando os entregadores vieram entregá-la aqui em casa o céu, que estava terrivelmente nublado, se abriu e um facho de luz divina atingiu o homem que carregava a cama nas costas. Juro que ouvi as trombetas angelicais tocarem junto com a perspectiva de eu finalmente ter uma noite em cima de uma cama.
A porta da minha casa foi aberta por mim como se eu acessasse o Éden novamente...

Iiiiiih, essa cama não passa por essa escada, não... - Me falou o entregador mor, portador da notícia que destruiu meu coração.

Hoje eu escrevo este post da sala, são 1:03 da manhã. Alguém quer comprar uma cama de casal? Linda, confortável, colchão de mola...

~~

Anteontem (sexta) eu fui ao ar dando uma entrevista para o Globo Repórter. Apesar de uns cortes bizarros e sensacionalistas, a reportagem até que não foi das piores.

http://www.youtube.com/watch?v=rF2TxNqvVMY

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Supimpa

Supimpa. Aluguei uma casa com minha amiga Olívia. Fica bem pertinho da USP, uma beleza, não gasto com transporte. Fiquei amigo do homem que entrega água e do senhor que faz a segurança na rua. Plantei um pé de pimenta, salsa e outras coisas, uso caixotes de feira como mesas e como no bandeijão, acabei de comprar uma cama e uns livros, varro a casa às vezes e lavo a louça, além de lavar roupa e pendurá-la (continuo andando amassado, porque não sei passar a ferro), cozinho bem mal, tem um pé de siriguela no quintal e o cachorro da Olívia faz xixi nele, só xixi, cocô não.

Enfim, tudo é estranhamente novo. Quando ficar velho eu saio novamente pra algum lugar longe, onde eu vou estudar algum bicho esquisito.

segunda-feira, 13 de julho de 2009

E essa agora?

Hoje eu acordei bem feliz aqui em Gilbués.
Saí por aí e o Chico (cão), como de costume, me seguiu o tempo todo, colocando a cabeça embaixo da minha mão uma vez ou outra pra receber um afago.
Passei pelos lugares onde tinha que ir e as pessoas olhavam para mim e acenavam com a cabeça, de um jeito interiorano com o qual eu já estou bem acostumado. Meu rosto avisava todo mundo que eu estava nu e as pessoas viam o meu coração bater dentro de mim.
Aí uma borboleta pousou na minha orelha... ...na minha orelha! Pensei em alguém que diz se sentir nua sem brincos e me senti vestido.
Hoje eu estou bem feliz.

--

Na semana passada o Francisco José da Rede Globo me entrevistou, para o Globo Repórter, e filmou os meus macacos.
Ele é um cara bem bacana. Além disso, encher a cara com o cinegrafista e o técnico foi bem engraçado.

Ouvi cada coisa sobre essas pessoas famosas das novelas que eu não conheço... Tenho certeza que muita gente adoraria ouvir... mas eu esqueço os nomes, me desculpem.

Acho que vou ao ar, falando um punhado de besteiras, em setembro.