sexta-feira, 18 de julho de 2008
Jura?
- E chora porque, minha filha?
- Porque os meus namorados me abandonam.
Ouvi a conversa toda atrás de uma coxinha e de um suco de laranja (é... velhos hábitos die hard), sem saber que chorar tinha alguma relação com ficar jovem. Achei que a possibilidade de acontecer o contrário seria mais plausível.
- 32? Jura?
sábado, 12 de julho de 2008
Oh man!
-Look at that bipedal run!!!! – Disse uma das doutoras, de quem eu passei a minha vida acadêmica lendo os artigos e a idolatrando, quando um macaco passou correndo em bipedalismo (algo não muito comum entre primatas do novo mundo).
Veja bem, eu continuo achando a mulher o máximo. E de uma certa forma acho que vou acabar exclamando coisas como “Wow! Take a look at that inversed bipedal posture! Amazing!” enquanto tenho algo parecido com um orgasmo intelectual.
Porém, não gostaria de criar 13 gatos no meu apartamento solitário. Não que a tal doutora crie, mas frases como “What a wonderful climbing positional behavior in foraging ativities, man!” me remeteu à criação de 13 gatos em um apartamento.
~~
Pelo menos uma das doutoras peidou na minha frente enquanto eu rolava de rir no chão do cerrado (li-te-ral-men-te), no meio do nada, após uma pausa dramática para considerar se eu realmente deveria me render às gargalhadas.
Isso me aproximou da humanidade e me distanciou dos gatos por enquanto.
sexta-feira, 11 de julho de 2008
Não. Pedófilos onanistas não!
Pedófilos onanistas agradecem a você que compra os CDs e vai aos shows.
~~
Por falar em crianças e comportamentos anormais que ficam cada vez mais normais a cada dia que passa, “Precisamos falar sobre o Kevin”, de Lionel Shriver, é um livro bem legal, apesar de ser a coisa fictícia mais triste e assustadora que eu já li na vida. Não se jogue da janela se ler.
Ou se jogue, afinal eu não tenho nada a ver com isso.
~~
OK. Vou adotar um filho assim que terminar o mestrado. É sério. Afinal de contas tenho certeza de que me tornarei multimilionário em breve.
Estou louco para ensinar ao meu pequeno Luizinho Júnior todas as coisas que eu não sei.
Espero que ele não seja homicida, suicida, dançarino do créu e nem um pedófilo onanista quando crescer. (embora a parte do onanista seja aceitável durante a adolescência).
quarta-feira, 9 de julho de 2008
Os dinoZauros fazem xixi
~~
Tenho olhado para meus livros. Não se como vou levá-los agora que vou morar definitivamente em São Paulo.
~~
Ontem cortei o cabelo. Ou melhor, a Sônia cortou.
A Sônia é a cabeleireira que cuida dos cabelos da minha família há anos. Porém, só ontem descobri a magia das fofocas daquele ambiente.
Vejamos, não sei bem por onde começar.
-Aaaaai... já experimentei creme de bláblá*, creme de bléblé*, creme de blibli* e a minha pele nunca se dá muito bem com esses produtos – confessou uma velha médica que estava gemendo toda vez que a manicure cutucava o seu pé.
-E é, éééé? - Perguntou a Sônia, que estava cortando o meu cabelo.
-É. Da próxima vez vou pedir um creme de xixi de dinozauro – Sim, a palavra foi dinoZauro. Suponho que ela se referia a dinossauro.
-Aaaaai! Xixi de dinozauro! Que seboseira! – Se indignou a manicure.
-Essa é boa! Xixi de dinozauro! Credo! – Disse a Sônia olhando para minha cara.
-É... hehehe, eca! Dinozauro... – Disse eu tentando ser solidário.
-Com licença, as senhoras teriam um cafezinho? - O motorista da médica do xixi de dinozauro apareceu.
-Ah! Claro, meu senhor! – A outra manicure se manifestou.
-E não terias umas bolachinhas também?
-Aaaaaah hahahaha! – Riu a manicure. Não sei bem porque – Conseguiu estacionar o carro no estacionamento que eu falei? Esse daqui é muito caro!
-Consegui sim! Não é um estacionamento de primeira, né? Mas é um dos melhores dos de segunda!
Bom, não quero aborrecer quem estiver lendo isso aqui. Mas a conversa não parava até que eu fui embora.
As pessoas são tão interessantes. Dá vontade de nunca intervir e só ficar olhando pra elas.
Como eu faço com os meus macacos.
~~
* Palavras que eu sinceramente não consigo me lembrar.
segunda-feira, 7 de julho de 2008
Todo poderoso
Estou em Recife. Anteanteanteanteanteontem fui a missa de sétimo dia de uma parente.
Sou quase capaz de jurar que o padre sugeriu que o euro era uma coisa relacionada com as trevas. Eu posso estar enganado, não estava realmente prestando atenção. Foi logo antes dele dizer que o amor ágape era algo... bom... que o amor ágape era algo de deus.
Enfim, tenho aprendido mais sobre mim mesmo. Descobri que sei lidar com autoridades sem questioná-las muito. Afinal, fui católico um dia. Em um tempo remoto.
Na verdade eu não questionava muito as autoridades dos assuntos relacionados a deus e seus subordinados do alto escalão, mas colei na prova de catequese quando eu tinha uns poucos anos de idade. Acertei todos os mandamentos e tirei dez na prova. Hoje eu ainda lembro que tinha o “amar deus sobre todas as coisas”, “não matarás”, “não cobiçar a mulher do próximo”... acho que tinha também alguma coisa sobre “colocar as meias sujas no cesto de roupa suja”, mas não estou bem certo.
É engraçado, mas apesar de ter ficado orgulhoso do meu feito (não sei se fiquei orgulhoso por ter tirado 10 ou por ter colado na prova da catequese, o que me proporcionaria, se houvesse justiça nesse mundo divino, um 10 na escola do capeta, e não na catequese dentro da igreja), eu continuava com uma compulsão por matar insetos (matei muitas baratas na minha vida, hoje eu evito, tenho pena das pobres), por amar meus pais acima de deus (se deus fosse mesmo um indivíduo eu sinto muito, mas as pessoas que me davam beijo de boa noite antes de eu dormir vinham em primeiro lugar) e por cobiçar muitas mulheres dos próximos (e, considerando a fase pré-púbere na qual me encontrava, colocá-las dentro da minha cabeça nas minhas primeiras experiências sexuais solitárias). É, eu era um pecador e iria pro inferno com certeza.
Acho que no fim das contas eu questionava as autoridades de uma maneira muito mais peculiar do que somente falando. Eu era um terrorista espiritual. Eu era como aqueles caras que vestem um colete cheio de dinamite e vão pra porta de uma escola de padres sorrindo candidamente. Eu explodia as criancinhas enquanto comprava um churros ou um sorvete de Jesus pra elas. Eu era um cavalo de Tróia que trazia má influência disfarçada em um sorriso confiável para dentro dos muros sagrados. Eu era uma farsa. Eu era o Hugo Chavez da catequese.
Enfim, hoje, adulto, eu não acho que vou mais para o inferno. Eu vou é pra debaixo da terra e depois vou virar um pedaço de grama, um órgão de um verme, a asa de um passarinho, o dente de um rato, uma flor, uma gota d’água, um grão de areia, a unha do dedo mindinho do teu neto. Eu vou ser onipotente e onipresente.
quinta-feira, 26 de junho de 2008
...pois é...
~~~~
Não sei. segunda-feira vou a Recife. Dia 15 de julho vou a Portugal. Dia 15 de agosto vou ao Piauí. Depois volto a Recife. Depois volto a São Paulo. Volto para o Piauí. Recife de novo.
Depois me dizem que não tenho os pés no chão e que fico com a cabeça nas nuvens.
He-he-he...
~~~~
Continuo tentando me livrar do mp3. É difícil. Deve ser algo como cocaína.
quinta-feira, 19 de junho de 2008
A maconha de prata
~~~~
No entanto hoje esqueci o maldito aparelho do inferno em casa e fui ao correio.
Entre meus afazeres, além de perseguir macacos e analisar o que eles fazem, está a emocionante tarefa de assinar e enviar recibos pelo correio.
Então corri para uma agência e esperei minha vez. Havia três atendentes na agência, uma japonesa muito bonita e bem vestida de um lado, uma mulata linda no meio e uma mulher nada bonita (=feia) e toda de preto, com uma faixa de tenista na cabeça e um colar com um pingente prateado na forma nada discreta de uma folha de maconha do outro lado.
Claro que na minha vez foi a mulher da folha de maconha que atendeu.
O recibo que eu estava mandando era muito importante, então sondei a área, desconfiado daquele pingente. Agora vejo que posso ter sido mal interpretado...
-Oi! Preciso mandar isso sem falta para Natal, no Rio Grande do Norte... - Olhei preocupado para a folha de maconha prateada no pescoço da senhora.
-Tá...
-O que você faz para se divertir enquanto trabalha? - Perguntei como se ela fosse responder "fumo maconha enquanto queimo as cartas dos clientes".
-Nada demais... - Senti que a moça mordeu o lábio inferior ao responder e fiquei mais preocupado ainda com a minha correspondência.
-Ah tá. E que horas você sai? - OK! Essa pergunta pareceu ter uma conotação totalmente oposta à que eu pretendia.
-18 horas... - E tive a nítida impressão que a senhora passou a língua no lábio superior.
-Essa carta vai chegar, né? - Usei uma abordagem mais direta.
-Vai... vai sim... - Meu deus, ela arrumou o cabelo!
-Tá... tó o dinheiro, obrigado... tchau...
-Psiu... - fez a moça - ...dezoito... horas... - e piscou.
Saí com alguma agilidade do correio, imaginando aonde ficaria a agência do correio mais próxima sem atendentes de meia idade usando folhas de maconha prateadas no pescoço.
~~~~
No meu tempo esse cartaz não ficaria pendurado nas portas das locadoras!
Tempos macabros! Prefiro pornografia!

